Domingo, 24 de Junho de 2007

SOLIDÃO E O DIÁLOGO DE AJUDA

           Segundo Rudio, no livro Compreensão Humana e Ajuda ao Outro, “A solidão no sentido estrito não se refere diretamente ao relacionamento com outras pessoas, mas à experiência interior de abandono. O que caracteriza a solidão é a consciência de estar sozinho, mas acompanhada de um sentimento penoso de desamparo e de uma carência premente de alguém que lhe possa dar apoio. Portanto, a percepção de estar sozinho, o sentimento de desamparo e a necessidade de alguém, formam os três elementos constitutivos da solidão, interpenetrando-se e misturando-se. Solidão é o medo de sermos destruídos psicologicamente por nós mesmos.” Em outras palavras, é o medo de constatarmos o quanto estamos distantes do nosso “si mesmo”, ou nossos valores.

           Na relação de ajuda, ou diálogo de ajuda, que o CVV oferece, procura-se suprir justamente essa necessidade que toda pessoa tem de relacionar-se bem consigo mesmo, a fim de orientar-se.

           Damos muito valor à aceitação social e, quando não conseguimos alcançá-la, sentimo-nos afastados, deixados de lado e então surge o medo do abandono, da rejeição e o isolamento.

           O que muitas vezes temos dificuldade de entender, é que nosso maior medo é o de estar a sós conosco mesmos. Se não criamos um mundo interno com um mínimo de “conforto emocional”, fica difícil estarmos entregues a nós mesmos, às vezes com baixa auto-estima, e sensação de inadequação.

           Talvez a “paz interior” tão buscada por todos, seja esta sensação de estar bem consigo mesmo, de ser uma boa companhia para si mesmo, no momento em que falta o outro.

           Rudio afirma que uma das maneiras de vencer a solidão é a procura do próprio aperfeiçoamento: “Quanto mais o indivíduo buscar ser coerente consigo mesmo, ser autêntico, melhor será o relacionamento construtivo consigo mesmo, mais gostará de si de maneira apropriada, maior será a auto-estima e a autonomia, que se tornarão fonte generosa do sentimento pessoal de auto-realização e de produtividade para o mundo.”

           Pode parecer um paradoxo, mas só aliviamos nossa própria solidão, quando estamos abertos a entender que temos mais a oferecer do que imaginamos e nos abrimos para receber uma outra pessoa com aceitação e respeito.

           Conviver alivia a solidão, mas não cura, já que ela sempre fará parte da nossa vida e o que faz toda a diferença de como vivenciá-la (com ou sem sofrimento) é a maneira como lidamos com nossas emoções e sentimentos. O melhor “remédio” é o autoconhecimento, pois só através dele aprendemos a suprir algumas carência internas, como a falta de auto-confiança.

           Dar e receber são processos fundamentais da vida e é preciso antes de tudo, entender que o amor não se manipula, apenas se oferece e a única via de retorno a nós mesmos do amor doado, é a gratificação de estar disponível ao diálogo.

           Acreditar em si e confiar no outro é a chave que abre nosso interior e nos conduz ao processo de vida plena.

publicado por Paula Valentina às 16:06

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