Sábado, 5 de Maio de 2007

Qualquer forma de orgasmo vale a pena...



Por Dr. Cássio dos Reis

Tanto se tem falado das dificuldades que as mulheres sentem em não sentir o orgasmo vaginal, em detrimento do orgasmo clitoriano.

O orgasmo vaginal, passou a ser o grande vilão que teima em não se manifestar num enorme contigente de mulheres que o buscam desenfreadamente, exatamento porque ficou sendo valorizado como o orgasmo perfeito e maduro. Ele é tido como responsável pela manutenção da espécie exatamente pelo fator reprodutivo.
Portanto a mulher que tinha o orgasmo vaginal tinha um valor adicional, exatamente porque com o mesmo lhe era autorizado, já que com ele  e através dele ela estaria fazendo o papel da propagadora da espécie.

O orgasmo vaginal, pressupõe penetração vaginal, tornando a gravidez viável, tendo ou não acontecido, mas a possibilidade de ser penetrada e sentir prazer, está associada a função da maternidade.

O orgasmo clitoriano, ao contrário era considerado o “ orgasmo vagabundo “  ,um orgasmo estéril, então sua prática era absolutamente desestimulada, com a origem dos mitos, do pecado e das proibições.

Alguns pensadores, em geral homens, começaram a imaginar que este orgasmo era a uma rivalidade da mulher com  postura masculina, aquela que dispensava o pênis. A masturbação torna-se portanto a grande vilã, pelas mesmas razões, sem falar de sua conotação suja e pecaminosa.

Uma certa competição com a figura masculina, daí o conceito de inveja do pênis, como se o pênis tivesse mais valor do que o clitóris e a vagina.

Embora Freud tenha até mesmo pactuado desta máxima, mas ao constatar que estava enganado, soube se retratar, mesmo que seja em notas de rodapé.

Muitas mulheres não conseguem ter o orgasmo vaginal, por uma série de motivos, sem falar das razões anatômicas e fisiológicas. O clitóris, que tem como única função dar prazer a mulher.

As mulheres que conseguem ter o orgasmo vaginal, com o pênis penetrado, criaram um modelo de prazer absoluto, fazendo com que as que não conseguem este prazer, se sintam inferiores, como que privadas do prazer maior.

O que pode acontecer entre outras coisas é a dificuldade de algumas mulheres, validarem ao extremo os ensinamentos culturais, invalidando o pênis, e até mesmo como uma forma de rejeição da figura masculina, como uma pseudo forma de agressão.

O orgasmo clitoriano é exterior, mais fácil de ser alcançado, o orgasmo vaginal por si só vai depender de algumas condições.

Ser penetrada, pode significar a aceitação do parceiro de forma incondicional, lembrando que por razões filogenéticas, a mulher pode ter  um filho por ano, ao contrário do homem que pode produzir um número ilimitado de filhos.

Talvez como uma defesa, pois a mulher precisa ser mais seletiva, mais cuidadosa com seu organismo, foi aprendendo a se defender, daí a grande descoberta do orgasmo clitoriano, fora dela e determinado por sua vontade, com ou sem a presença do homem.

As variações criadas, tais como vibradores e outros artifícios, não tem senão, a função de substiuição do homem sem os riscos do envolvimento afetivo e de uma gravidez indesejada, muito embora a grande maioria de mulheres que fazem uso dos vibradores, criem fantasias de envolvimentos afetivos, como facilitadores do excitamento, assim como um aval ao seu prazer.

Daí, o homem ser mais ousado, ele é muito menos comprometido com o resultado de sua ação, se a mulher engravidar quem leva o filho é ela, sua participação pode ser inclusive camuflada.

Freud, chegou a classificar a libido, como uma pulsão tipicamente masculina, o que mais tarde foi confirmado pelos endocrinologistas, pois o homem tem em maior quantidade a testosterona, responsável pelo excitamento tanto do homem quanto da mulher, embora a testosterona seja um hormônio tipicamente masculino.

Hoje sabemos que o estrógeno é um hormônio feminino responsável pelo desejo que em composição com a testosterona pode desencadear na mulher a manutenção do desejo.

É exatamente o estrógeno que perde força principalmente na menopausa, daí a reposição hormonal ser tão importante quando a curva declinante hormonal começa a se fazer sentir.

Portanto, cabe-nos desmistificar a importância do orgasmo vaginal em detrimento do orgasmo clitoriano, as dificuldades que as mulheres tem é maior para a obtenção do orgasmo vaginal, o que não diminui a importância do orgasmo sendo ele vaginal ou clitoriano.

Portanto cabe a cada  mulher não questionar o orgasmo em sua forma, mas desfrutar do prazer obtido, sem ficar criando teorias que validem apenas um tipo de orgasmo, tem elas o previlégio das variáveis.

O importante ao buscar o prazer sexual é conseguir se autorizar a viver toda a sensação prazerosa que este pode lhe trazer, o resultado será uma melhor disposição para a vida, sem falar do grande auxiliar na auto-estima.

Ficar conjecturando sobre possibilidades, pode anular o prazer sentido, e aí o prejuizo é enorme, pois enquanto se teoriza na forma, perde-se a objetividade do prazer.

Enquanto algumas mulheres ficam questionando o próprio prazer, perdem a oportunidade de desfrutar da capacidade de sentir, donde podemos concluir: não existe orgasmo vagabundo, qualquer forma de orgasmo vale a pena.

publicado por Paula Valentina às 22:40

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